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Sucessores mudam a forma de produzir no interior

  • Rosaura Bastos Bellinaso
  • 7 de mai.
  • 3 min de leitura

Durante muito tempo, sucessão familiar no campo significava apenas uma coisa: o filho assumir a propriedade do pai e continuar fazendo tudo exatamente da mesma forma.

Mas o agro mudou. E talvez a transformação mais silenciosa — e mais importante — que esteja acontecendo hoje no interior venha justamente da nova geração de produtores rurais.

Filhos e netos de agricultores estão voltando para as propriedades com uma visão completamente diferente sobre gestão, tecnologia, comunicação e futuro.

Eles continuam valorizando tradição, experiência e conhecimento passado de geração para geração. Mas agora somam isso a ferramentas digitais, planejamento estratégico, automação e presença online. O resultado é um agro mais conectado, mais profissional e cada vez mais orientado por dados.


Segundo discussões apresentadas pela Epagri durante o Tec Agro 2025, a sucessão familiar deixou de ser vista apenas como uma “passagem de bastão” e passou a ser tratada como um processo construído em conjunto entre gerações. O debate mostrou como jovens produtores estão trazendo inovação para dentro das propriedades familiares sem romper com a essência do campo. Essa mudança já aparece na prática. Hoje é cada vez mais comum encontrar produtores utilizando:

  • drones para monitoramento de lavouras

  • softwares de gestão rural

  • monitoramento climático em tempo real

  • agricultura de precisão

  • análise de dados

  • automação de processos

  • redes sociais como ferramenta de posicionamento e comercialização


O produtor rural deixou de ser apenas produtor. Em muitos casos, virou também gestor, estrategista e comunicador. Uma pesquisa publicada no estudo “Sucessão Familiar e permanência do jovem no Meio Rural” mostrou que 90,4% dos jovens entrevistados demonstraram intenção de assumir a gestão das propriedades familiares. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que ainda existe resistência de parte das gerações anteriores em aceitar mudanças propostas pelos sucessores, gerando um choque entre tradição e inovação. E esse talvez seja um dos maiores desafios do agro atual:equilibrar experiência e modernização. Porque a nova geração não quer abandonar o campo.Ela quer transformar a forma de viver nele.


Segundo especialistas ouvidos pela MundoCoop, tornar o trabalho rural mais atrativo para os jovens exige investimento em tecnologia, capacitação, inovação e qualidade de vida.

Não por acaso, cooperativas, empresas e instituições começaram a investir fortemente em programas voltados à sucessão familiar. Em Santa Catarina, por exemplo, o programa Jovem SuperAgro, desenvolvido pela Seara em parceria com o Sebrae/SC, foi criado justamente para preparar jovens sucessores através de formação em:

  • liderança

  • gestão

  • tecnologia aplicada ao campo

  • tomada de decisão

  • desenvolvimento de negócios rurais


Ao mesmo tempo, o agro da nova geração também começa a entender algo que antes parecia distante da realidade rural: posicionamento. Hoje, muitos jovens produtores perceberam que mostrar bastidores, comunicar processos e construir reputação também gera valor. A imagem da propriedade, da família e da produção passou a ter peso no mercado. E isso vale tanto para grandes produtores quanto para agricultura familiar.

Em um cenário onde o consumidor quer saber:

  • de onde vem o alimento

  • quem produz

  • como produz

  • quais valores existem por trás da produção

…comunicação deixou de ser detalhe. Virou estratégia.


O agro segue tendo raízes fortes.Mas agora essas raízes convivem com tecnologia, inovação e uma mentalidade muito mais empreendedora.

Talvez seja justamente essa combinação entre tradição e visão de futuro que esteja moldando o próximo capítulo do interior brasileiro.

Porque a nova geração não está apenas herdando propriedades.

Está redefinindo o que significa produzir no campo.

Fontes

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